LUIZA CATANHEDE
( Brasil – Maranhão )
Nasceu em Santa Inês – Maranhão -Brasil em 1964.
Formou-se em Contabilidade em Teresina – Piauí,
onde reside atualmente (em 2018).
Estreou nas letras com “Palafitas ” (Poesia).
***
É Presidente da Academia Piauiense de Poesia; Diretora da Associação de jornalistas e escritoras do Brasil-MA; Vice-presidente regional da Academia Poética Brasileira; membro da Sociedade de Cultura Latina do Maranhão e do Mulherio das Letras. Tem poemas publicados em antologias nacionais e internacionais.
I COLETÂNEA POÉTICA DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL construindo pontes. Dilercy Aragão Adler (Organizadora). São Luís: Academia Ludovicense de Letras – ALI, 2018. 2978 p. ISBN 978-85-68280-12-6 No 10 353
RETORNO´S
Voltar para casa e para o whisky
Enquanto nos chegam
notícias das catástrofes
Pela Internet
Pela boca
Dos que fingem
nos matar
Andar no lado errado da rua
Pegar o taxi para lugar nenhum
Pela janela do bar
o cafetão acena
Para as putas tristes
As mãos esparsas sobre o
Corpo
Tem sempre alguém
que não se mata
às 23h de uma noite
Chuvosa
contrariando as
Previsões de fim de ano
Há quem suporte o precipício
O bolso rasgado
E a solidão diz que não
Adianta tomar pílulas pra dormir
Eu sei
Eu sei que existe algo além do
Último tango
Por isso escrevo e bebo
PECADOS CAPITAIS
Traí os ritos
Despi-me à porta
da igreja
Chamei os anjos
insanos
Estamos
prontos
para a
crucificação
OUÇA
Nada mais precisa
ser dito
Apenas o barulho
da lâmina tricotando
O que ainda resta
Nesta casa desabitada
(Só o silêncio reverbera)
Nada bate à porta
Nem os Santos
Nem os bêbados
Nem o pio da coruja
O grito enclausurado
Feito o barco de Rimbaud
Embriagado
ser sozinho
É pra quem tem coragem
DAS DÚVIDAS
Quem não possui
uma dor
Um fantasma
Um anjo louco
Um fogo breve
Uma morte em
Vida?
Que não deseja desnascer
E ser conduzido novamente
Ao ventre acolhedor?
Quem não se entrega
Às promessas de retorno?
Quem não deseja afastar-se
Do desconsolo e empreender
Fuga na garupa do recomeço?
E TUDO PASSA
Não parece
Mas a vida continua ali
Naquele banco da praça
Acenando para o tempo
Que passa
E tudo passa...
Tente
Abra o olho no escuro
(Tire um sol do seu silêncio)
Não desista
As pessoas
se cumprimentam
Friamente
Mas, há algo indivisível
Bordando o amor
Entre as coisas
Miúdas
*
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Página publicada em março de 2025.
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